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sábado, 13 de junho de 2009

Racional - Logikós - λογικην

Rm. 12:1

Logikós e o verbete que aparece no texto de Romanos 12:1, quando Paulo fala da caracteristica do nosso culto a Deus. O culto que prestamos a Deus deve ser racional, deve ser algo que fazemos de forma consciente. Nosso irmao Frances Shaffer que ja esta com o Senhor, escreveu um livro cujo conteudo fala que a "fé nao anula a razão", nossa mente nao fica vazia, desligada, em transe, não voa, nao se anula quando estamos servindo e adorando ao nosso Senhor. Paulo e Joao usam o termo sabemos por 27 vezes em suas cartas, a carta aos Filipenses foi escrita para a mente humana, o termo mente aparece 41 vezes em toda a Biblia.
Uma adoração onde somos convidados para esvaziar a nossa mente, nao é um culto inteligente, nao é um culto ao Deus criador que criou a nossa mente.

sábado, 16 de maio de 2009

Teleios

O verbete Teleios e seus correlatos, aparecem no N.T., 49 vezes. Teleios é palavra usada por nosso irmao Apostolo Paulo aos Gentios-Etnes-PNAs, para falar de maturidade, de uma vida completa, de cristaos adultos, de gente que está sendo equipada e com um profundo desejo de se tornar um equipador no corpo de Cristo. Era esse o alvo de Paulo, seu foco estava bem direcionado, o apostolo sabia o que queria e para qual direção estava se movendo e exatamente aquilo para o qual foi chamado. Vejamos um destes textos em Cl. 1:28.29 "...a fim de que apresentemos todo homem perfeito, finalizado, teleios em Cristo. Vivemos um momento no mundo onde grande parte dos homens, sao homens inacabados, nao iniciados, homens sem pai. Paulo sabia da necessidade de apresentar, ofertar, todo homem como um homem adulto em Cristo. Deus espera que cresçamos na fe, que nos tornemos verdadeiros soldados de Cristo Jesus para entrar na batalha espiritual para valer. Em razao disso, ele afirma no vs. 29 "...é para isso que eu tambem me afadigo, esforçando-me o mai.s possiível, segundo o poder de Deus que operava eficientemente nele.
Será esta, meu querido irmao, minha querida irma, a marca do nosso andar com Deus? Estamos trabalhando fortemente para que aqueles que estao sob nossa responsabildade, sejam apresentados como cristaos maduros e frutiferos?

Tres questoes precisam ser lembradas aqui;

Primeiro
Hb. 5:14 - O alimento sólido é para os maduros, completos, nao e para qualquer pessoa. Uma criança na fe nao esta pronta para receber o ouro da Palavra, ela nao sabera como descobrir as pepitas de ouro da Sagradas Escrituras, para tanto ela necessitará crescer, tornar-se adulta, madura.

Segundo
Tg. 1:4 - A perseverança deve ter ação completa (teleios), perseverar e ficar sob pressao, debaixo de um peso, por esta razao a Palavra do Senhor a igreja de Filadelfia, é chamada de Palavra de Perseverança (Ap.3:10)
O vs. 2, fala de provaçoes, todos nos sabemos que as provaçoes é aquele tempo quando Deus esta tratando comigo e com voce, é um tempo de treinamento. Um cristao maduro, completo, compreendera sem dificuldades, a exortaçao do apostolo Tiago que nos encoraja a; "...ter motivo de toda a alegria quando passardes por varias provaçoes...". Um cristao nene, uma criancinha em Cristo, nao compreenderá que todo treinamento do Espirito Santo em nossa vida, sera proveitoso para o nosso viver diario. Aqueles que sao crianças porque nsaceram de novo, precisam de discipulado, aqueles que sao crianças porque nao cresceram na fe, precisam de quebrantamento e arrependimento e abandono do pecado.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

"Se Jesus aceitasse a oferta do diabo, rapidamente teria uma multidao de admiriadores. Seria o caminho mais rápido para implantar seu reino entre os homens."

Ricardo Barbosa de Souza, ministro presbiteriano

Fonte: Jornal Ultimato - Junho de 2009

sábado, 9 de maio de 2009

A Vida Trocada

J. Hudson Taylor : Jornal Arauto da Sua Vinda

"...o descanso que a completa identificação com Cristo nos traz."

J. Hudson Taylor (1832-1905) foi o fundador da Missão do Interior da China (The China Inland Mission – atualmente chamado Overseas Missionary Fellowship).


Este artigo foi extraído de uma carta escrita para a sua irmã na Inglaterra em 1869.

O mês passado, ou um pouco mais, tem sido o período mais feliz da minha vida. Talvez fique mais claro se eu voltar um pouco antes. Minha mente tem sido grandemente exercitada nos últimos seis a oito meses, sentindo a necessidade tanto pessoalmente, quanto para a nossa missão, de mais santidade, vida, poder nas nossas almas. Contudo, a necessidade pessoal ficou em primeiro lugar e era a mais forte. Eu senti a ingratidão, o perigo, o pecado de não viver mais perto de Deus. Orei, agonizei, jejuei, lutei, tomei resoluções, li a Palavra mais diligentemente, busquei mais tempo para retiro e meditação – tudo, porém, sem resultado.
A cada dia, quase a cada hora, a consciência do pecado me oprimia. Eu sabia que se tão-somente conseguisse permanecer em Cristo, tudo estaria bem, mas não conseguia. Eu começava o dia com oração, determinado a não tirar os meus olhos dEle por um momento sequer; entretanto, a pressão dos deveres, algumas interrupções muito fortes e contínuas que me desgastavam, geralmente me faziam esquecê-lo. Depois os nossos nervos tendem a ficar tão inquietos neste clima (na China) que a tentação de irritar-se, alimentar pensamentos duros e usar palavras indelicadas são ainda mais difíceis de controlar. Cada dia trazia seu registro de pecado e fracasso, de falta de poder. O querer estava presente dentro de mim, mas como fazer eu não descobria.
Aí veio a pergunta: “Não há nenhum socorro? Terá de ser assim até o fim – conflito constante e, em vez de vitória, derrotas e mais derrotas?” Além disso, como poderia eu pregar com sinceridade que para aqueles que recebem Jesus é dado “o poder de se tornarem filhos de Deus" (quer dizer, serem semelhantes a Deus), quando essa não era a minha própria experiência? (Jo 1.12).
Em vez de me fortalecer mais e mais, parecia que eu estava ficando cada vez mais fraco, com menos poder contra o pecado, o que não era de se estranhar, pois a fé e até mesmo a esperança estavam cada vez mais baixas. Eu odiava a mim mesmo; odiava o meu pecado; no entanto, não encontrava força alguma contra ele. Eu me sentia um filho de Deus, e, a despeito de tudo, o seu Espírito gritava dentro do meu coração "Aba, Pai" (Rm 8.15,16): porém, para tomar posse dos meus privilégios de filho, eu estava completamente impotente.
Eu pensava que santidade, vitória prática poderia ser alcançada gradualmente pela aplicação diligente dos meios de graça. Sentia que não havia nada que eu mais desejasse neste mundo, nada de que eu mais necessitasse. Mas longe de conseguir alcançá-la, nem ao menos uma pequena medida sequer, quanto mais eu perseguia e lutava por isso, mais ela fugia do meu alcance; até que a própria esperança quase morreu, e comecei a pensar que, talvez para tornar o céu ainda mais doce, Deus não no-la daria aqui.
Não acho que estava me esforçando para consegui-lo na minha própria força. Eu tinha consciência da minha impotência. Eu até disse isso ao Senhor, e pedi-lhe que me ajudasse e me desse forças; e em algumas ocasiões, cheguei a acreditar que ele me guardaria e me sustentaria. Mas, ao final do dia, quando olhava para trás, que lástima! Só havia pecado e fracasso para confessar e lamentar diante de Deus.
Uma Lamentável Falta de Poder
Não quero lhe dar a impressão de que essa era a experiência diária de todos aqueles longos e tristes meses. Era um estado de alma muito freqüente; era a tendência geral e, por pouco, teria acabado em desespero total. Ao mesmo tempo, nunca Cristo me pareceu mais precioso – um Salvador que podia e queria salvar um pecador como eu! E houve alguns períodos não somente de paz, mas até de alegria no Senhor. Entretanto, eram passageiros, e mesmo no melhor deles, havia uma lamentável falta de poder. Oh, como o Senhor foi bom em levar a um término todo esse conflito!
Durante todo esse tempo, eu me sentia seguro de que em Cristo havia tudo o que eu precisava, mas a questão prática era como obtê-lo. Ele era rico, de verdade, mas eu era pobre; ele forte, mas eu fraco. Eu sabia muito bem que na raiz, no caule, havia nutrientes em abundância; mas como trazê-los para o meu raminho raquítico é que era a questão. À medida que a luz ia raiando no meu interior, pude perceber que a fé era o único pré-requisito, era a mão que eu precisava estender e usar para pegar da sua plenitude e dela me apropriar. Contudo, eu não tinha essa fé. Estava me esforçando para consegui-la, porém ela não vinha; tentei exercitá-la, mas nada acontecia.
Vendo cada vez mais o maravilhoso suprimento de graça provisionado em Jesus, a plenitude do nosso precioso Salvador – minha impotência e culpa pareciam aumentar. Os pecados cometidos pareciam migalhas insignificantes quando comparados com o pecado da incredulidade que estava por trás deles. A incredulidade é que não consegue ou não quer aceitar a palavra de Deus, sem questionamento, fazendo dele um mentiroso! Esse era, para mim, o pecado mais amaldiçoador do mundo, contudo eu estava me entregando a ele. Orei pedindo fé, mas não a recebi. O que eu devia fazer?
Nossa Unidade com Cristo
Quando a minha agonia estava no auge, uma frase numa carta do meu querido amigo McCarthy foi usada para remover as escamas dos meus olhos, e o Espírito de Deus me revelou a verdade da nossa união com Jesus como eu nunca havia visto antes. McCarthy, que fora muito provado pelo mesmo sentimento de fracasso, mas que vira a luz antes de mim, escreveu:
“Mas como fortalecer a fé? Não por se esforçar para obtê-la, mas por repousar naquele que é fiel.”
À medida que eu lia, pude ver claramente! “Se somos infiéis, ele permanece fiel” (2 Tm 2.13). Olhei para Jesus e vi (e quando vi, oh, como jorrou a alegria!) que ele tinha dito: “Nunca, jamais te abandonarei” (Hb 13.5). “Ah, então há descanso!”, pensei. “Tenho me esforçado em vão para descansar nele. Não me esforçarei mais. Pois ele não prometeu permanecer comigo, nunca me deixar, nunca me abandonar?” E, de fato, ele nunca me abandonará!
Mas não foi só isso que ele me mostrou, nem a metade. Enquanto meditava sobre a Videira e os ramos, quanta luz o bendito Espírito derramou diretamente na minha alma! Como pareceu enorme o meu engano em ter desejado obter a seiva, tentando tirar a plenitude dele para mim. Percebi que não somente Jesus nunca me deixaria, mas que eu era um membro "do seu corpo, da sua carne e dos seus ossos" (Ef 5.30).
A videira que vejo agora não é só raiz, mas é tudo – raiz, caule, ramos, brotos, folhas, flores, fruto; e Jesus não é somente isso: ele é solo e luz do sol, ar e chuva, e dez mil vezes mais do que qualquer coisa que jamais tenhamos sonhado, desejado ou necessitado. (Leia João 15.1). Oh, que alegria eu tive ao ver toda essa verdade! Oro de verdade para que os olhos do seu entendimento possam ser iluminados; que você possa conhecer e desfrutar as riquezas que nos são dadas livremente em Cristo (Ef 1.18).
Que coisa maravilhosa é ser realmente unido com um Salvador ressurreto e exaltado; ser um membro de Cristo! Pense no que isso significa. Pode Cristo ser rico e eu pobre? Pode a sua mão direita ser rica, e a esquerda pobre? Ou a sua cabeça ser bem alimentada enquanto o seu corpo passa fome?
Pense no significado disso na oração. Pode um funcionário de banco dizer a um cliente: “Foi só a sua mão que escreveu este cheque, não você”; ou: “Eu não posso pagar este dinheiro para a sua mão, mas só para você mesmo”?
Assim não podem mais as suas orações, ou as minhas, ser desacreditadas se oferecidas no nome de Jesus (isto é, não no nosso próprio nome, ou simplesmente pelo amor de Jesus, mas baseadas no fato de que fazemos parte dele, somos seus membros), conquanto que nos mantenhamos dentro dos limites do crédito de Cristo – um limite toleravelmente amplo!
Se nós pedimos alguma coisa que não condiz com as Escrituras ou não está de acordo com a vontade de Deus, Cristo mesmo não poderia fazer isso; mas “Se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve; e... estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito” (1 Jo 5.14-15).
Completa Identificação com Cristo
A parte mais doce, se é que se pode falar de uma parte sendo mais doce do que outra, é o descanso que a completa identificação com Cristo nos traz. Não estou mais ansioso por coisa alguma, quando compreendo isso; porque ele, eu sei, é capaz de realizar a sua vontade, e a vontade dele é a minha.
Não importa onde ele me coloca, ou como. Isso é muito mais assunto dele do que meu; porque, nas posições mais fáceis, ele precisa me dar a sua graça, e nas mais difíceis, a sua graça é suficiente. Pouco importa ao meu servo se eu o mando comprar alguns itens baratinhos, ou a mercadoria mais cara da loja. Em qualquer um dos casos, ele espera de mim o dinheiro necessário e me traz as compras. Assim, se Deus me coloca numa grande perplexidade, não deve ele me dar muita orientação? Em posições de grande dificuldade, muita graça; em circunstâncias de grande pressão e provação, muita força. Nunca os seus recursos serão desproporcionais à emergência!
E os seus recursos são meus, porque ele é meu, e está comigo, e habita em mim. Tudo isso flui da unidade do crente com Cristo, e já que Cristo está agora habitando em meu coração pela fé, como eu tenho sido feliz!
Fonte: Jornal Arauto da Sua Vinda, ano 24, nº 2.
A Vida que é Cristo

Ruth Paxson

Temos estado conscientes de que há uma Pessoa Divina dentro de nós?


“... Eu estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora vivo na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a Si mesmo se entregou por mim.” (Gálatas 2:19-20)
Este trecho escolhido começa com um Eu maiúsculo na versão em inglês da American R.V. Existem dois “Eu(s)” maiúsculos nas Escrituras, os quais são exatamente opostos. Um é o Eu de Lúcifer: é a primeira vez que a palavra “Eu” foi usada no universo de Deus e foi quando ele a pronunciou. O outro “Eu” é o Eu do nosso Senhor, o qual Ele usou com Seus discípulos, quando Ele disse “Eu em vós”. O que Lúcifer realmente queria dizer quando ele primeiro usou a palavra Eu, foi – “Não mais Deus, mas Eu”. Isto fez dele o arqui-traidor. Quando ele continuou dizendo – “Eu irei”, isso foi um ato de auto-traição”.
Adão e Eva fizeram a mesma escolha que Lúcifer já tinha feito – O “Eu em lugar de Deus”. “Eu” tornou-se o centro da visão deles, e eles também disseram: “Não mais Deus, mas Eu”. Este “Eu” é também o centro da sua vida e da minha, e quer viver para ele mesmo. Se tiver que haver história nas nossas vidas, deverá haver primeiro uma mudança no nosso relacionamento tanto para com o “Eu” como para com Deus. Nossas vidas devem ser reajustadas de tal maneira que ao invés de – “Não mais Deus, mas Eu”, seja “Já não sou Eu, mas Cristo” de Gálatas 2:19-20.
Mas o “Eu” nunca sairá do trono por si mesmo. Ele nunca se rebaixará ou se retirará em favor de Cristo. Ele deve ser removido afim de ser substituído por Cristo, como centro de nossas vidas. Como se pode fazer isto? Existe somente um lugar aonde isso pode ser feito, e esse lugar é na Cruz de Cristo. O caminho de Deus é o caminho da Cruz, e o caminho da Cruz significa morte. Nós não podemos dizer de uma forma real “Cristo vive em mim” antes de dizermos – “Eu estou crucificado com Cristo”. Essa é a ordem de Deus e não pode ser mudada. Quando o velho “Eu” se retira através da crucificação, a nova vida entra através da ressurreição. Quando o velho “Eu” cai e morre, o novo “Eu” surge e vive.
Por que razão o velho “Eu” é tão abominável e odioso aos olhos de Deus, para que Ele deva tratar tão drasticamente com ele? Eu estou sempre procurando uma visão nova deste versículo. Alguns anos atrás eu compreendi este verso de uma maneira bem definida como um padrão para a minha vida diária. Recentemente eu li um folheto, e recebi uma nova luz nesse versículo, o qual deu lugar a uma nova linha de pensamento com respeito à razão porque Deus teve que levar o velho “Eu” à Cruz para ser crucificado com Jesus Cristo. Eu vou pedir a você que abra a Bíblia em Marcos 10:32-45, e leia esse trecho antes de continuar a ler este artigo.
Nesta passagem o Senhor Jesus contou aos Seus discípulos do sofrimento que O esperava; da zombaria, do tormento e dos acoites, tudo para terminar em morte de crucificação. Alguém poderia pensar que seus corações tivessem sido comovidos enquanto eles visualizavam a agonia que O esperava. Mas muito pelo contrário! Suas palavras pareciam não dizer nada a eles. Por quê? Porque eles estavam preocupados com eles mesmos. Dois deles, Thiago e João, vieram a Ele dizendo: “Mestre, queremos que nos conceda o que te vamos pedir”. Isto é o Ego falando. – Tu nos concedas! Não há nenhum desejo de fazer algo para Ele.
O Senhor Jesus perguntou: “Que quereis que vos faça?” Quanta graça! Que incomparável altruísmo e humildade! Então os dois disseram: “Permite-nos que na Tua glória nos assentemos um à tua direita e o outro à tua esquerda.” Permiti-nos! Não importa que tipo de lugar os outros dez tenham; qualquer lugar será bom pra eles; mas cuida para que nós tenhamos os melhores lugares, por obséquio. Depois que o Senhor tenha nos colocado assentados, pode então assentar os outros em qualquer lugar. Lembre-se que estes dois eram ardentes fundamentalistas. Eles acreditavam no céu. Haveria de haver uma Terra Gloriosa, e eles queriam se assegurar de que eles teriam os melhores lugares ali; eles iriam reservá-los, e queriam obter essa solicitação antes mesmo que os outros tivessem uma chance.
O Senhor fez desta solicitação uma ocasião para ensiná-los mais alguma coisa: “Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu bebo?” Sim! Vocês estarão comigo na Terra Gloriosa, mas há alguma coisa antes da Terra Gloriosa. Há o cálice – a Cruz! Vocês estão prontos para ir à Cruz? Os lugares que vocês terão na Glória irão depender do fato de vocês irem àquela Cruz comigo ou não; de vocês beberem aquele cálice comigo. Eles não tinham pensado nisto! Eles pensaram somente nos lugares que eles iriam ocupar na Glória – puro e extremo egoísmo. Mas a Cruz vem antes da Glória; o cálice precede o lugar, não somente para eles, mas também para você e para mim. Quando os dez ouviram a conversa eles ficaram muito aborrecidos pelo fato dos dois terem se antecipado a eles e pedido os melhores lugares. A raiva deles suscitou do Senhor Jesus estas palavras maravilhosas, as quais prefiguram a Cruz, e colocam-na bem no centro da experiência cristã:
“Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. Pois o próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e dar a sua vida em resgate por muitos”. (Marcos 10:43-45)
Não pensariam vocês que a palavra “próprio” teria atingido-os até o âmago? O “próprio” Filho do Homem! Ele tinha o direito de vir esperando ser servido porque Ele era o Filho de Deus. Mas Ele veio também como o Filho do Homem, e isso é o que Ele próprio Se chama aqui. O ego espera obter, Cristo veio para dar. Ele veio não para ser servido, mas pra servir, até mesmo para Se dar a Si próprio à morte da Cruz.
O “Eu” sempre espera que alguém o sirva. Ele não vem para servir, mas para ser servido. Sim! O “Eu” quer que todo mundo e todas as coisas o sirvam – pessoas, circunstâncias, e mesmo ocasionalmente o tempo.
O velho “Eu” tem um grande senso de sua própria importância, e uma presunçosa estimativa de suas próprias habilidades. Ele fica terrivelmente chateado se sua importância não é reconhecida, se seus dons não são valorizados, se seus direitos não são admitidos, ou se ele não é considerado apropriadamente; tudo porque ele veio para ser servido, e não para servir.
O velho “Eu” sabe muita coisa da Bíblia, mas nada da parte que diz: “preferindo-vos em honra uns aos outros”; ou que fala de “não procurando o que é propriamente seu”, ou de “alegrai-vos com os que se alegram”. Sendo assim isso dá lugar ao ciúme e à inveja, talvez até mesmo à falta de perdão, ressentimento, e ódio, tudo porque ele veio para ser servido, não para servir. Ele pode finalmente até fazer uma bondade a alguém, e então quase ter um colapso nervoso porque ele não foi suficientemente apreciado. Os agradecimentos não foram bastante profusos, porque ele veio para ser servido, não para servir.
Ele se orgulha de seu firme julgamento e sábio conselho; e ama ser consultado. Se as pessoas se dão bem sem seu conselho, ou se o seu conselho é dado, mas ignorado, então sua reputação sofre. Ele veio para ser servido. Ele tinha que falar numa reunião e esperava uma grande audiência, mas não havia uma grande audiência; ou talvez a grande audiência estava lá; mas simplesmente saiu sem dizer qualquer palavra de como a reunião tinha sido um sucesso, ou comentado da mensagem maravilhosa que tinha sido dada. Então o velho “Eu” foi para casa cabisbaixo e triste, julgando-se falho e sentindo-se extremamente deprimido e aborrecido. Ele não veio para servir, mas para ser servido e estava desapontado.
Ele queria entregar-se ao trabalho cristão, tinha esperado ardentemente por isso, mas pelo o que ele iria ganhar disto e não pelo o que ele representaria ao trabalho. Logo ele ficou desapontado e cansado e queria desistir. Por quê? Porque ele não veio para ministrar, mas para ser ministrado; e não recebeu o que esperava.
A Principal Causa do Problema
O problema que você e eu temos em nossas vidas e serviço é devido principalmente ao “Eu”. Naturalmente não pensamos assim! Nós continuamos a fazer exatamente aquilo que começou no Éden, nós tentamos colocar a culpa noutro lugar. Mas nenhum de nós pode jamais ser roubado de qualquer paz, alegria, descanso, poder, ou qualquer outra coisa em nossas vidas, que pertence a nós pelo fato de sermos cristãos, a não ser através do velho “Eu”. Ele fica tão amolado por pequenas coisas. A água é cortada justamente na hora que alguém começa a lavar a louça; a carta não vem no dia exato em que é esperada; ou até mesmo alguém começa a escrever uma carta e acaba a tinta da caneta! Como o velho “Eu” se indigna e se enfurece! Que momentos difíceis! Por quê? Ele está ocupado com ele mesmo, toda a vida gira em torno dele. Ele veio, não para ministrar, mas para ser ministrado. É então de se estranhar que haja algum lugar que Deus possa achar para ele a não ser na Cruz do Calvário?
Agora voltemos ao nosso verso. “Eu fui crucificado com Cristo”. Eu acredito que Paulo estava dando testemunho pessoal. Ele nos deu a doutrina que esta em Romanos 6:6, mas aqui ele dá o seu testemunho pessoal de que isto é um fato e de que isto passou a ser a sua própria realidade de vida. Paulo está dizendo aqui: - Eu, Paulo, fui crucificado com Cristo, e não é mais o velho homem que é o centro da minha vida; Outro veio para tomar seu lugar. Já não sou “Eu”, mas Cristo! – Podemos dizer o mesmo como uma realidade viva?
Mas Quem é o Cristo? Qual é a Sua vida? Uma vida assim humilde, santa, pura, justa, tal vida de amor, - isto é este Cristo, Quem é tudo isso, este Cristo não é outro, Quem vive em você e em mim. Que espécie de vida Ele vive? Exatamente a mesma espécie de vida que Ele viveu aqui na terra. Não é outra vida. Ele vive exatamente a vida que Ele está vivendo agora à mão direita de Deus. E Cristo vive em mim!
Existem certo princípios que governaram a vida de Cristo quando Ele viveu aqui na terra; princípios bem definidos e afirmamos muito claramente na Palavra de Deus, e eu vou mencionar a vocês cinco deles. Eu creio que se deixar Cristo viver completamente em mim, então Ele vai viver de acordo com esses mesmos princípios.
Primeiro – Ele vivia puramente para a glória de Deus. Não havia um simples traço de auto-glorificação no Filho do Homem. Ele disse na Sua oração sacerdotal: “Eu terminei o trabalho que Tu me deste”. Isto nos ensina que mesmo antes do desejo de fazer a obra do Pai, o desejo ardente do Seu coração era glorificar o Seu Pai. Ele tanto glorificou o Pai que pôde dizer a Felipe quando este perguntou se poderia ver o Pai – “Aquele que vê a Mim vê o Pai”. Assim este é o primeiro princípio da vida do Nosso Senhor – Glorificar a Deus, e não auto-glorificação.
Segundo – Ele viveu em completa obediência ao Seu Pai. Não houve nenhum agrado próprio em Sua vida. “Eu sempre faço as coisas que Lhe aprazem”; sempre, e não algumas vezes. Este foi um principio permanente em Sua vida – viver para agradar ao Pai.
Terceiro – Ele viveu em completa obediência ao Seu Pai. Não Havia nenhum traço de vontade própria nEle. Ele continuamente dizia: “não seja feita a Minha vontade, mas a Tua”. Em todas as coisas e em todo momento este também era um princípio permanente na vida do Filho do Homem aqui na terra.
Quarto – Ele vivia em absoluta dependência de Seu Pai. Não havia auto-confiança. Ele disse: “... o Filho nada pode fazer de Si mesmo, senão aquilo que vir o Pai”.
Quinto – Ele viveu somente para Seu Pai. Não havia apenas nenhuma vontade própria, mas também nenhum caminho próprio. Ele disse: “O Pai enviou-Me” e “Eu terminei a obra que o Pai me deu a fazer”.
Ora, o Cristo que vive em você e em mim pretende viver exatamente em acordo com estes cinco princípios, de maneira que em nossas vidas haverá glorificação do Senhor Jesus Cristo, e não auto–glorificação: o nosso viver será somente para agradá-Lo, e não para agrado próprio, mas uma vontade completamente entregue em submissão ao Senhor Jesus Cristo. Nós seremos realmente Seus escravos. Será uma vida vivida sem auto-confiança, nunca fazendo nada de nós mesmos. Acreditando que Ele vive Sua vida em nós, nossa dependência estará totalmente nEle.
Paulo aplicou isso na sua própria vida. O mesmo Cristo deve viver a mesma vida em você e em mim. Isto é tão profundo, e assim mesmo tão simples, justamente uma Pessoa Divina vivendo Sua vida num ser humano. Não é que Cristo vai viver Sua vida em nós com nossa ajuda. Não é que Ele vai nos ajudar a viver a vida cristã. Não é nenhuma dessas duas coisas. É exatamente o que nosso verso diz – Cristo vivendo plenamente Sua vida em nós. Acreditamos nisto? É esta a vida que você e eu temos vivido até o dia de hoje? Temos estado conscientes de que há uma Pessoa Divina dentro de nós, realmente vivendo Sua vida em nós?
Isso não poderia ser afirmado de maneira mais simples. Ainda temos nossa personalidade humana, mas existe outra pessoa vivendo, e vivendo em todas as áreas da nossa vida, não em uma pequena parte, mas em toda parte. O velho “Eu” está crucificado e portanto deve ser despojado como lemos Efésios. O novo “Eu”, o qual é Cristo em nós, a vida sobrenatural de uma Pessoa sobrenatural deve ser vivida plenamente em nós. Isso é verdade pra você e para mim?

Tradução: C.L.M.C
Extraído da Revista, À Maturidade, Número 22– Verão de 1992
Nossa Responsabilidade de Zelar pelo Evangelho

Jonh Stot

"Fomos chamados a guardar o evangelho."

2 Timóteo 1.12b-18

Deixando de lado, por enquanto, a segunda parte do versículo 12, chegamos à dupla exortação de Paulo a Timóteo, nos dois versículos seguintes: “Mantém o padrão das sãs palavras que de mim ouviste” (v. 13); “guarda o bom depósito, mediante o Espírito Santo que habita em nós” (v. 14). Aqui Paulo se refere ao evangelho, à fé apostólica, usando duas expressões. O evangelho é tanto um padrão de sãs palavras (v. 13), como um depósito precioso (v. 14).
“Sãs” palavras são palavras “saudáveis”. A expressão grega é empregada nos evangelhos nos casos de pessoas curadas por Jesus. Anteriormente eram deformes ou doentes; agora estavam bem ou “sãs”, por não ser mutilada ou enferma, mas “sadia”, ou “completa”. É o que Paulo mencionara, anteriormente, como sendo “todo o desígnio de Deus” (Atos 20:27).
Além disso, essas “sãs palavras” foram dadas por Paulo a Timóteo num “padrão”. A palavra grega aqui é hypotyposis. A BLH traduz por “exemplo”. E o Dr. Guthrie diz que ela significa um “esboço rápido, como o faria um arquiteto, antes de lançar no papel os planos detalhados de uma construção”. Neste último caso Paulo estaria sugerindo a Timóteo que ampliasse, expusesse e aplicasse o ensino apostólico. Parece-me que essa interpretação não se harmoniza com o contexto, principalmente num confronto com o versículo seguinte. A única outra ocorrência de hypotyposis no Novo Testamento encontra-se na primeira carta de Paulo a Timóteo, onde ele descreve a si mesmo como um objeto da maravilhosa misericórdia e da perfeita paciência de Cristo, como um “exemplo dos que haviam de crer nEle” (1:16). Arndt e Gingrich, que optaram por “modelo” ou “exemplo” como sendo a tradução usual, sugerem que essa palavra é empregada mais com o sentido de “protótipo” em 1 Timóteo 1:16 e com o sentido de “padrão” em 2 Timóteo 1:13. Neste caso Paulo estaria ordenando a Timóteo que conservasse como um padrão as sãs palavras, isto é, “como um modelo de ensino sadio”, aquilo que ouvira do apóstolo. Isto certamente corresponde ao ensino geral da carta e reflete fielmente a ênfase da sentença na primeira palavra, “modelo” ou “padrão”.
Assim, o ensino de Paulo deve ser uma regra ou diretriz para Timóteo, da qual este não deve se afastar. Pelo contrário, deve obedecer a essa regra, ou melhor, deve apegar-se a ele com firmeza (eche). E assim deve proceder “na fé e no amor que há em Cristo Jesus”. Isto é, Paulo não está tão preocupado com o que Timóteo deve fazer, mas sim como o modo como ele o fará. As convicções doutrinárias de Timóteo e a instrução recebida de outros, assim como as que reteve firmemente dos ensinos de Paulo, devem ser manifestas com fé e amor. Timóteo deve procurar estas qualidades em Cristo: uma crença sincera e um amor pleno.
A fé apostólica não é somente um “padrão de sãs palavras”; é também o “bom depósito” (he kale paratheke). Ou como expressa a BLH: “as boas coisas que foram entregues a você”. Sim, o evangelho é um tesouro, depositado em custódia na igreja. Cristo o confiou a Paulo; e Paulo, por sua vez, o confiou a Timóteo.
Timóteo deveria “guardá-lo”. É precisamente o mesmo apelo que Paulo lançou no final da sua primeira carta (6:20), com a única diferença de que agora ele o chama de “bom”, literalmente “belo” depósito. O verbo (phylasso) tem o sentido de guardar algo “para que não se perca ou se danifique” (AG). É empregado com a idéia de guardar um palácio contra saqueadores, e bens contra ladrões (Lucas 11:21; Atos 22:20). Fora há hereges prontos a corromper o evangelho e desta forma roubar da igreja o inestimável tesouro que lhe foi confiado. Cabe a Timóteo colocar-se em guarda.
Deveria ele guardar o evangelho com toda a firmeza possível em vista do que acontecera em Éfeso (a capital da província romana da Ásia) e seus arredores, onde Timóteo se encontrava (v. 15). O tempo aoristo do verbo “me abandonaram” parece referir-se a um acontecimento especial. É mais provável que tenha sido o momento da segunda detenção de Paulo. As igrejas da Ásia, onde trabalhara por vários anos, tornaram-se muito dependentes dele, e talvez a prisão do apóstolo lhes tenha incutido a idéia de que a fé cristã agora estava perdida. A reação deles talvez tenha sido repudiar Paulo ou recusar-se a reconhecê-lo. De Figelo e Hermógenes nada sabemos de concreto, mas a menção de seus nomes nos indica que possivelmente eles tenham sido os cabeças da oposição. De qualquer modo, Paulo via nesse afastamento das igrejas da Ásia mais do que uma simples deserção pessoal dele; era, sim, uma rejeição à autoridade apostólica. Deve ter-lhe sido algo bastante sério, principalmente porque alguns anos antes, durante a sua permanência em Éfeso por dois anos e meio, Lucas registra que “todos os habitantes da Ásia ouviram a palavra do Senhor, e muitos creram” (Atos 19:10). Agora “os que estão na Ásia” haviam voltado as costas para Paulo. A um grande despertamento seguiu-se uma grande deserção. “A todos os olhos, menos aos da fé, deve ter parecido que o evangelho estava às vésperas da extinção”.
Uma grande exceção parece ter sido um homem chamado Onesíforo, o qual repetidas vezes acolhera Paulo em sua casa (literalmente “reanimou-o”, v. 16) e que, em Éfeso, prestara-lhe muitos serviços (v. 18). Onesíforo permanecera, desde modo, fiel ao significado do seu nome: “portador de préstimos”. Além disso, não se envergonhara das algemas de Paulo (v. 16), o que dá a entender que não repudiou a Paulo quando preso, e que o seguiu, e mesmo o acompanhou a Roma, procurando-o até encontrá-lo no calabouço. Paulo tinha boas razões para ser grato por este amigo fiel e corajoso. Não é surpreendente, pois, que se expresse por duas vezes em oração (vs. 16, 18), primeiro por sua casa (“conceda o Senhor misericórdia à casa de Onesíforo”) e depois, especificamente, por Onesíforo (“O Senhor lhe conceda, naquele dia, achar misericórdia da parte do Senhor”).
Vários comentaristas, notadamente católicos romanos, partindo das referências à casa de Onesíforo (mencionada novamente em 4:19) e à expressão “naquele dia”, têm argumentado que Onesíforo àquela altura estava morto e que, por conseguinte, no versículo 18 temos uma oração em favor de um falecido. Isto, na verdade, não passa de uma simples e gratuita conjectura. O fato de Paulo mencionar primeiro Onesíforo e depois sua casa não dá a entender necessariamente que estejam eles separados em virtude de sua morte; é mais viável crer que fosse devido à distância: Onesíforo estava ainda em Roma, enquanto que sua família permanecia em casa, em Éfeso. “Considero que é uma oração em separado pelo homem e por sua família”, escreve o Rev. Moule, “por estarem então separados um do outro, por terras e mares...Não há necessidade alguma de interpretar que Onesíforo tivesse morrido. A separação de sua família, por uma viagem, isso é o que se depreende da passagem”.
Em todo o caso, todos na Ásia, como Timóteo estava bem ciente, voltaram as costas ao apóstolo, com exceção do leal Onesíforo e de sua família. Era em tal situação de apostasia quase universal que Timóteo deveria “guardar o bom depósito” e “manter o padrão das sãs palavras”, ou seja, deveria preservar o evangelho imaculado e genuíno. Já seria uma grande responsabilidade para qualquer um, quanto mais para alguém com o temperamento de Timóteo. Como poderia então permanecer firme?
O apóstolo dá a Timóteo a base segura de que ele necessita. Timóteo não pode pensar em guardar o tesouro do evangelho com força própria; somente poderá fazê-lo “mediante o Espírito Santo que habita em nós” (v. 14). A mesma verdade é ensinada na segunda parte do versículo 12, que até aqui ainda não consideramos. A maior parte dos cristãos está familiarizada com a tradução “porque sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia”. Essas palavras são verdadeiras e muitas outras passagens bíblicas as confirmam; quanto à estrutura linguística, foram traduzidas acuradamente. De fato, tanto o verbo “guardar” como o substantivo “depósito” são precisamente as mesmas palavras no versículo 12 e no versículo 14 e ainda em 1 Timóteo 6:20. Presume-se, então, que “o meu depósito” não é o que eu lhe confiei (minha alma ou eu mesmo, como em 1 Pedro 4:19), mas aquilo que ele confiou a mim (o evangelho).
O sentido, pois, é este: Paulo podia dizer que o depósito é “meu”, porque Cristo lho confiou. Contudo, Paulo estava persuadido de que era Cristo que iria conversá-lo seguro “até aquele dia”, quando ele teria de prestar contas da sua mordomia. Em que se baseava a sua confiança? Somente numa coisa: “eu o conheço”. Paulo conhecia a Cristo, em quem confiava, e estava convencido da capacidade dele para manter o depósito em segurança: “porque sei em quem tenho crido, e estou bem certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia” (v. 12). Cristo cuidará do depósito. E agora Paulo o está confiando a Timóteo. E Timóteo pode ter esta mesma segurança.
Aqui há um estímulo muito grande. Em última análise, é Deus mesmo quem preserva o evangelho. Ele se responsabiliza por sua conservação: “Sobre qualquer outro fundamento a obra da pregação não se sustentaria nem por um momento”. Podemos ver a fé evangélica encontrando oposição em toda parte, e a mensagem apostólica sendo ridicularizada. Talvez vejamos uma crescente apostasia crescer na igreja, muitos de nossa geração abandonando a fé de seus pais. Mas não temos nada a temer! Deus nunca permitirá que a luz do evangelho apague. É verdade que ele o confiou a nós, frágeis e falíveis criaturas. Ele colocou o seu tesouro em frágeis vasos de barro, e nós devemos assumir a nossa parte na guarda e na defesa da verdade. Contudo, mesmo tendo entregue o depósito aos cuidados de nossas mãos, Deus não retirou as Suas mãos desse depósito. Ele mesmo é, afinal, o Seu melhor vigia; Ele saberá preservar a verdade que confiou à Igreja. Isto nós sabemos, porque sabemos em quem depositamos a nossa confiança, e em quem continuamos a confiar.
Vimos que o evangelho é a boa nova da salvação, prometida desde a eternidade, concretizada na História por Cristo, e oferecida à fé.
A nossa primeira responsabilidade reside na comunicação do evangelho, fazendo uso de velhos métodos ou procurando novos caminhos para torná-lo conhecido por todo o mundo.
Se assim procedermos, certamente sofreremos por ele, já que o autêntico evangelho nunca foi popular. Ele humilha muito o pecador.

E ao sermos chamados a sofrer pelo evangelho, somos tentados a adaptá-lo, a eliminar aqueles elementos que ofendem e provocam oposição, a silenciar as notas que ferem os sensíveis ouvidos modernos.

Mas devemos resistir a esta tentação. Pois, antes de tudo, fomos chamados a guardar o evangelho, conservando-o puro, a qualquer preço, preservando-o de toda corrupção.

Guardá-lo fielmente. Difundi-lo ativamente. Sofrer corajosamente por ele. Esta é a nossa tríplice responsabilidade perante o evangelho de Deus, de acordo com este primeiro capítulo.

Fonte: John Stott, A Mensagem de 2 Timóteo, Editora ABU
Justificação

Martin Lloyd-Jones

"Deus nos vê como pessoas vestidas da justiça de Cristo."

Justificação não significa meramente perdão. Inclui o perdão; no entanto, é muitíssimo maior do que este. Além disso, a justificação afirma que Deus nos declara completamente inocentes, considerando-nos pessoas que jamais pecaram. Ele nos proclama justos e santos. Agindo assim, Deus está refutando qualquer acusação que a lei faça contra nós. Não é apenas o juiz, no tribunal, asseverando que o réu está perdoado, mas declarando-o uma PESSOA JUSTA E INOCENTE. Ao justificar-nos, Deus nos informa que removeu nosso pecado e culpa, imputando-os, ou seja, lançando-os na conta do Senhor Jesus Cristo, cas tigando-os nEle. Deus também anuncia que, fazendo isso, lança em nossa conta (ou seja, imputa-nos) a perfeita justiça de seu querido Filho. O Senhor Jesus Cristo obedeceu completamente a Lei; jamais a trans- grediu em algum aspecto, satisfazendo-a em todas as suas exigências. Esta completa obediência constitui a justiça dEle. O que Deus faz ao justificar-nos é lançar em nossa conta (ou seja, imputar-nos) a justiça do Senhor Jesus Cristo. Ao declarar-nos justificados, Deus proclama que nos vê não mais como realmente somos, e sim como pessoas vestidas da justiça de Cristo.

Um hino escrito pelo conde Zinzendorf expressa deste modo a justificação:

Jesus, tua veste de justiça É agora minha beleza; minha gloriosa vestimenta. Entre os mundos flamejantes, Envolvido em tua justiça, com alegria eu Te exaltarei.
George Muller e a Bíblia

R. A. Torrey

Entrega Absoluta

Houve uma época na vida de George Muller de Bristol, cerca de quatro anos após a sua conversão, para a qual ele sempre olhou e sobre a qual, por repetidas vezes, referiu-se como sendo a época em que ele verdadeiramente entrou na vida cristã.
Certa vez, ao compartilhar com os ministros e obreiros, por ocasião do seu aniversário de noventa anos, George Muller falou da seguinte forma a respeito de si mesmo: " ... Eu lembro da minha entrega absoluta ao Senhor. Fui convertido em novembro de 1825, mas somente quatro anos mais tarde, em julho de 1829, entreguei meu coração ao Senhor de forma absoluta. Somente então abandonei o amor ao dinheiro, à paz, à posição, aos prazeres e aos compromissos mundanos. Deus, Deus somente tornou-se a minha porção. Encontrei nele o meu tudo. Não desejava nada mais e, pela graça de Deus, assim permaneço até hoje. Isso me fez um homem feliz, um homem profundamente feliz e levou-me a ocupar-me somente com as coisas de Deus. Amado irmão, eu lhe pergunto com muito amor: Você já entregou seu coração a Deus de forma absoluta? Ou há algo que você está retendo e não quer entregar a Deus? Anteriormente eu lia um pouco as Escrituras, mas preferia outros livros; todavia, desde o dia em que entreguei-me totalmente ao Senhor, a revelação que Ele fez de Si mesmo tornou-se uma bênção incomparavelmente mais preciosa para mim. Posso afirmar de coração que, "Deus é um Ser inifnitamente amoroso." Oh, não fiquemos satisfeitos até que, do mais profundo de nossa alma, possamos dizer:, "Deus é um Ser inifnitamente amoroso."
George Muller fala em sua revista acerca dessa mudança ocorrida em sua vida. Há muitos anos atrás ele fora para uma cidade chamada Teignmouth a fim de tratar sua saude física. Lá ele ouviu um pregador cuja mensagem ele jamais esqueceu. Ele relata o significado dessa mensagem nas seguintes palavras: "Embora eu não tenha gostado do que ele falou, eu vi nele uma seriedade e solenidade diferente dos demais. Através do ministrar desse irmão, o Senhor concedeu-me uma grande bênção e a Ele serei grato ao longo de toda a eternidade. Deus começou a mostrar-me que unicamente a Sua Palavra deve ser nosso padrão para o julgamento em coisas espirituais, que a Palavra de Deus somente pode ser explicada pelo Espírito Santo e que, em nossos dias, assim como nos tempos passados, Ele é o Mestre de Seu povo. Antes dessa ocasião em minha vida, eu não havia, em minha experiência, entendido a função do Espírito Santo. Anteriormente eu não havia enxergado que somente o Espírito Santo pode ensinar-nos acerca de nossa condição natural, mostrar-nos nossa necessidade de um Salvador, capacitar-nos a crer em Cristo, explicar-nos as Escrituras, ajudar-nos a pregar, etc..."
"Foi a compreensão dessa verdade em especial que exerceu uma grande influência em minha vida, pois o Senhor capacitou-me a experimentar sua validade quando eu coloquei de lado comentários e quase todos os outros livros e comecei simplesmente a ler e estudar a Palavra de Deus. Como resultado, na primeira noite em que entrei em meu quarto, fechei a porta a fim de orar e meditar nas Escrituras, eu aprendi mais em algumas poucas horas do que havia aprendido durante um período de vários meses. A maior diferença, no entanto, foi o poder real que experimentei em minha alma através disso."
"Além disso, aprouve ao Senhor fazer-me ver um padrão mais elevado de dedicação do que o que eu havia visto anteriormente. Ele levou-me, numa medida, a ver o que é minha glória neste mundo: ser desprezado, ser pobre e pequeno com Cristo. Ao retornar para Londres, minha saúde física estava muito melhor e, no que diz respeito a minha alma, a mudança fora tão grande que parecia uma segunda conversão."

Estudar a Bíblia é Mais Importante do que Ler Livros


"Eu caíra na armadilha que muitos cristãos caem: preferir ler livros religiosos ao invés da Bíblia. Na verdade, de acordo com as Escrituras, nós deveríamos pensar da seguinte maneira: 'O próprio Deus dignou-se a tornar-se autor de um livro, e eu sou ignorante acerca deste precioso livro que o Seu Espírito inspirou; por causa disso, eu devo ler novamente este Livro dos livros mais cuidadosamente, com mais oração, com muito mais meditação'. Mas essa não foi minha atitude. É verdade que minha ignorância sobre a Palavra levou-me a desejar estudá-la, todavia, por causa da minha dificuldade em entendê-la, nos primeiros quatro anos de minha vida cristã, eu negligiencei na sua leitura. Assim como muitos cristãos fazem, eu praticamente preferia ler as obras de homens não inspirados ao invés de ler os oráculos do Deus vivo. Como conseqüência disso, eu permaneci um bebê tanto no conhecimento quanto na graça. No conhecimento, porque todo verdadeiro conhecimento deve ser obtido da Palavra de Deus por meio de Seu Espírito. Como triste consequência, esta falta de conhecimento me impediu de caminhar nos caminhos de Deus com firmeza e constância. Pois é a verdade que nos liberta, livrando-nos do cativeiro dos desejos da carne, da concupiscência dos olhos e da soberba da vida. A Palavra prova isto. Também a experiência dos santos e minha própria experiência provam, de modo incontestável, a veracidade deste princípio, pois quando aprouve ao Senhor, em agosto de 1829, ensinar-me a confiar nas Escrituras, minha vida e meu caminhar tornaram-se muito diferentes".
"Se alguém me perguntasse como é possível ler as Escrituras de modo mais proveitoso, eu responderia da seguinte maneira:
Acima de tudo, devemos ter a Palavra armazenada em nossa mente, de modo que Deus apenas por meio do Espírito Santo possa ensinar-nos. Desta forma, é de Deus que vamos esperar todas as bênçãos e vamos buscar a bênção de Deus tanto antes quanto durante a leitura da Palavra.
Deveríamos compreender claramente que o Espírito Santo não é apenas o melhor Mestre, mas também é suficiente. Nem sempre Ele nos ensina imediatamente aquilo que desejamos saber. É possível, portanto, que algumas vezes necessitemos suplicar-lhe várias vezes a fim de receber explicação para algumas passagens; mas no final Ele certamente irá nos ensinar se nós buscarmos luz com oração, com paciência e para a glória de Deus."

O Segredo da Bênção e da Alegria

Apenas mais uma palavra proferida por ocasião do seu aniversário de noventa anos: Por sessenta e nove anos e dez meses George Muller fôra um homem muito feliz. Isso ele atribuía a duas coisas: ele havia mantido uma boa consciência, não seguindo deliberadamente um caminho que ele soubesse ser contrário à vontade de Deus; isso não quer dizer que ele era perfeito; ele era pobre, fraco e pecador. Em segundo lugar, ele atribuía sua felicidade ao seu amor pelas Escrituras. Nos seus últimos anos, ele costumava ler toda a Bíblia quatro vezes por ano, aplicando-a ao seu próprio coração e sobre ela meditando. Ele amava a Palavra de Deus muito mais agora do que há sessenta e seis anos atrás. Foi seu amor à Palavra, bem como o manter de uma boa consciência que lhe proporcionaram todos aqueles anos de paz e alegria no Espírito Santo.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

O próprio Cristo
A. B. Simpson

Gostaria de levar o pensamento de cada um a focalizar-se em Jesus, e somente nEle.
É comum ouvirmos os crentes dizerem: “Ah, como eu gostaria de obter a bênção da cura divina. Mas ainda não a obtive.”
E outros afirmam: “Eu já.”
Mas quando lhes pergunto: “O que obteve?”, não sabem responder.
Alguns dizem: “Recebi a bênção.” “Recebi a cura.” “Recebi a santificação.”
Mas, graças a Deus, o que devemos desejar não é a bênção, nem a cura, nem a santificação, nem outra coisa qualquer, mas Alguém muito superior. Devemos desejar Cristo, o próprio Cristo.
PRECISAMOS DE UMA PESSOA
Encontramos na Palavra a afirmação “Ele mesmo tomou as nossas enfermidades e carregou com as nossas doenças” (Mt. 8:17); “Carregando Ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (I Pe. 2:24). É a Pessoa de Jesus Cristo que devemos desejar. Muitos indivíduos têm uma idéia sobre Cristo, mas não passam disso. Têm um conceito na mente, na consciência e na vontade, mas Ele mesmo ainda não faz parte da vida deles. Assim só possuem um símbolo e uma expressão material de uma realidade espiritual.
Certa vez vi uma reprodução da Constituição dos EUA feita sobre uma chapa de cobre. Quando se olhava de perto, via-se apena um texto impresso. Mas quando se afastava um pouco, divisava-se na chapa a efígie de George Washington. Vistas de certa distância, as letras formavam os traços de Washington, e quem olhasse para elas enxergava apenas a pessoa e não as palavras, nem as idéias. Então ocorreu-me um pensamento: “É assim que devemos olhar para a Bíblia, para entender os pensamentos de Deus. Neles vemos o amoroso rosto de Jesus delineando-se em meio às palavras. Ali está o próprio Jesus, que se apresenta como a Vida, a Fonte de Vida, e a presença constante que a sustenta.”
Durante muito tempo orei a Deus pedindo a santificação, e muitas vezes achei que a havia recebido. Houve até uma ocasião em que senti algo diferente, e me agarrei àquela experiência, receoso de a perder. Fiquei acordado a noite toda, temendo que ela me escapasse, e é claro que, assim que a emoção e a sensação momentânea se esvaíram, ela desvaneceu também. Perdi-a, porque não me firmara em Jesus. É que estivera bebendo pequenos goles de um imenso reservatório, quando poderia estar imerso na plenitude de Cristo.
Às vezes, nos cultos, via pessoas dando testemunho sobre o gozo espiritual, e até achava que eu também o experimentara, mas não conseguia conservá-lo. É que minha fonte de alegria não era Jesus. Afinal, um dia, ele me disse com muita mansidão:
“Meu filho, receba-me, e eu próprio serei a fonte constante de tudo isso.”
Então resolvi despreocupar-me da santificação e da bênção em si, e passei a contemplar o próprio Cristo. Assim, em vez de ter uma experiência, entendi que tendo Cristo tinha quem era maior do que uma necessidade do momento, tinha o Cristo que era tudo de que necessitava. E ali O recebi, de uma vez para sempre.
Assim que O vi por esse prisma, experimentei um revigorante descanso. Tudo ficou acertado de uma vez por todas. Nele tinha tudo de que precisava, não apenas para aquele momento, mas para o outro, e o outro, e o outro, e assim por diante. Vez por outra, Deus me deixa entrever como será minha vida daqui a um milhão de anos, quando resplandeceremos “como o sol, no reino de (nosso) Pai (Mt. 13:43) e teremos “toda a plenitude de Deus” (Ef. 3:19).
MEU GRANDE SEGREDO
Se eu afirmasse agora que possuo uma fórmula secreta para se obter riqueza e sucesso, que recebi diretamente do céu, e que, por meu intermédio, Deus daria grandes quantidades dela a quem quisesse, todo mundo ficaria muito interessado. Pois quero mostrar-lhes na Palavra de Deus uma oferta muito mais valiosa que essa suposta fórmula. Inspirado pelo Espírito, o apóstolo Paulo diz que existe um “mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações” (Cl. 1:26). Trata-se de um segredo que o mundo tem procurado, mas não encontra; um segredo que os sábios estão sempre desejando. E o Senhor nos garante que “agora, todavia, se manifestou aos seus santos”. E Paulo viajou pelo Império Romano entregando essa mensagem a quem estivesse apto para recebê-la. Eis o segredo: “Cristo em vós, esperança da glória” (vs. 27).
O grande segredo é: “Cristo em vós”. E eu o passo a você agora, se quiser crer no que Deus diz. Para mim, ele tem sido maravilhoso. Faz alguns anos busquei a Deus, cheio de temores e de sentimentos de culpa. Apliquei esse segredo à minha vida e foi a solução para todas as minhas preocupações e meu fardo de pecados. Mas depois, após algum tempo, vi-me outra vez dominado pelo pecado, e a tentação me parecia forte demais. Busquei a Deus, e de novo Ele me disse: “Cristo em vós”.
Foi assim que obtive a vitória, o descanso, as bênçãos.
Antes era a bênção, agora é o Senhor.Antes era o que eu sentia; agora é a Palavra.Antes eu queria os dons; agora o Doador.Antes queria a cura; agora basta-me o próprio Jesus.
Antes era o esforço penoso; agora, a confiança perfeita.Antes era uma salvação incompleta; agora é a perfeição.Antes me segurava nEle; agora Ele me segura firmemente.Antes estava sempre à deriva; agora minha âncora está firme.
Antes era um plenejamento incessante; agora a oração da fé.Antes era uma preocupação constante; agora Ele cuida de tudo.Antes era o que eu queria; agora é o que Jesus disser.Antes era uma petição constante; agora, adoração incessante.
Antes era eu quem trabalhava; agora Ele age por mim.Antes eu tentava usá-Lo; agora é Ele que me usa.Antes queria o poder; agora tenho o Todo-Poderoso.Antes trabalhava por vaidade; agora, tão somente para Ele.
Antes tinha esperança de conhecer Jesus; agora sei que Ele é meu.Antes minha luz era intermitente; agora brilha intensamente.Antes esperava a morte; agora anseio por Sua volta.E minhas esperanças estão firmadas no céu.
(Extraído do livro Jesus Cristo, Ele Mesmo, Editora Betânia)

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Nunca se defenda

Todos nós nascemos com o desejo de defender-nos. E, caso insista em defender a si mesmo, Deus permitirá que você o faça. Porém, se você entregar sua defesa a Deus, então, Ele o defenderá. Ele disse a Moisés certa vez: “Serei inimigo dos teus inimigos e adversários dos teus adversários” (Êx 23.22).
Muito tempo atrás, o Senhor e eu chegamos juntos ao capítulo 23 do livro de Êxodo, e Ele me mostrou essa passagem. Já faz trinta anos que ela tem sido uma fonte de bênçãos indizíveis para mim. Não tenho de lutar. O Senhor é Quem luta por mim. E Ele certamente fará o mesmo por você. Ele será o Inimigo dos seus inimigos e Adversário de seus adversários, e você nunca mais precisará defender a si mesmo.
O que defendemos? Bem, defendemos nosso serviço e, particularmente, defendemos nossa reputação. Sua reputação é o que os outros pensam que você é, e se surgir alguma história sobre você, a grande tentação é tentarmos correr para acabar com ela. Mas, como você bem sabe, tentar chegar até a fonte de uma história assim é uma tarefa inútil. Absolutamente inútil! É como tentar achar o passarinho, depois de ter encontrado uma pena no gramado. Não poderá fazer isso. Porém, se se voltar completamente ao Senhor, Ele o defenderá completamente e providenciará para que ninguém lhe cause dano. “Toda arma contra forjada contra ti, não prosperará”, diz o Senhor, “toda língua que ousar contra ti em juízo, tu a condenarás” (Is 54.17).
Henry Suso foi um grande crente em dias passados. Um dia, ele estava buscando o que alguns crentes têm-me dito que também estão buscando: conhecer melhor a Deus. Vamos colocar isso nestes termos: você está procurando ter um despertamento religioso no íntimo de seu espírito que o leve para as coisas profundas de Deus. Bem, quando Henry Suso estava buscando a Deus, pessoas começaram a contar histórias más sobre ele, e isso o entristeceu tanto que ele chorou lágrimas amargas e sentiu grande mágoa no coração.
Então, um dia, ele estava olhando pela janela e viu um cão brincando no terraço. O animal tinha um trapo que jogava por cima de si, e tornava a alcançá-lo apanhando-o com os dentes, e corria e jogava, e corria e jogava muitas vezes. Então, Deus disse a Henry Suso: “Aquele trapo é sua reputação, e estou deixando que os cães do pecado rasguem sua reputação em pedaços e a lancem por terra para seu próprio bem. Um dia desses, as coisas mudarão”.
E as coisas mudaram. Não demorou muito tempo até que os indivíduos que estavam atacando a reputação de Suso ficassem confundidos, e ele foi elevado a um lugar que o transformou num poder em seus dias e numa grande bênção até hoje para aqueles que cantam seus hinos e lêem suas obras.
(Artigo extraído do livreto Cinco Votos Para Obter Poder Espiritual, de A. W. Tozer, Editora dos Clássicos.)
O grande deus entretenimento (A.W.Tozer)

Há muitos anos um filósofo alemão disse alguma coisa no sentido de que, quanto mais um homem tem no coração, menos precisará de fora; a excessiva necessidade de apoio externo é prova de falência do homem interior.
Se isto é verdade (e eu creio que é), então o desordenado apego atual a toda forma de entretenimento é prova de que a vida interior do homem moderno está em sério declínio. O homem comum não tem nenhum núcleo central de segurança moral, nenhum manancial no seu peito, nenhuma força interior para colocá-lo acima da necessidade de repetidas injeções psicológicas para dar-lhe coragem para continuar vivendo. Tornou-se um parasita no mundo, extraindo vida do seu ambiente, incapaz de viver um só dia sem o estímulo que a sociedade lhe fornece.
Schleiermacher afirmava que o sentimento de dependência está na raiz de todo culto religioso, e que por mais alto que a vida espiritual possa subir, sempre tem que começar com um profundo senso de uma grande necessidade que somente Deus poderia satisfazer. Se esse senso de necessidade e um sentimento de dependência estão na raiz da religião natural, não é difícil ver porque o grande deus entretenimento é tão cultuado por tanta gente. Pois há milhões que não podem viver sem diversão. A vida para eles é simplesmente intolerável. Buscam ansiosos o alívio dado por entretenimentos profissionais e outras formas de narcóticos psicológicos como um viciado em drogas busca a sua injeção diária de heroína. Sem essas coisas eles não poderiam reunir coragem para encarar a existência.
Ninguém que seja dotado de sentimentos humanos normais fará objeção aos prazeres simples da vida, nem às formas inofensivas de entretenimentos que podem ajudar a relaxar os nervos e revigorar a mente exausta de fadiga. Essas coisas, se usadas com discrição, podem ser uma benção ao longo do caminho. Isso é uma coisa. A exagerada dedicação ao entretenimento como atividade da maior importância para a qual e pela qual os homens vivem, é definitivamente outra coisa, muito diferente.
O abuso numa coisa inofensiva é a essência do pecado. O incremento do aspecto das diversões da vida humana em tão fantásticas proporções é um mau presságio, uma ameaça às almas dos homens modernos. Estruturou-se, chegando a construir um empreendimento comercial multimilionário com maior poder sobre as mentes humanas e sobre o caráter humano do que qualquer outra influência educacional na terra. E o que é ominoso é que o seu poder é quase exclusivamente mau, deteriorando a vida interior, expelindo os pensamentos de alcance eterno que encheriam a alma dos homens, se tão-somente fossem dignos de abrigá-los. E a coisa toda desenvolveu-se dando numa verdadeira religião que retém os seus devotos com estranho fascínio, e, incidentalmente, uma religião contra a qual agora é perigoso falar.
Por séculos a igreja se manteve solidária contra toda forma de entretenimento mundano, reconhecendo-o pelo que era - um meio para desperdiçar o tempo, um refúgio contra a perturbadora voz da consciência, um esquema para desviar a atenção da responsabilidade moral. Por isso ela própria sofreu rotundos abusos dos filhos deste mundo. Mas ultimamente ela se cansou dos abusos e parou de lutar. Parece Ter decidido que, se ela não consegue vencer o grande deus entretenimento, pode muito bem juntar suas forças às dele e fazer o uso que puder dos poderes dele. Assim, hoje temos o espantoso espetáculo de milhões de dólares derramado sobre o trabalho profano de providenciar entretenimento terreno para os filhos do Céu, assim chamados. Em muitos lugares, o entretenimento religioso está eliminando rapidamente as coisas sérias de Deus. Muitas igrejas nestes dias têm-se transformado em pouco mais do que pobres teatros onde “produtores” de quinta classe mascateiam as suas mercadorias falsificadas com total aprovação de líderes evangélicos conservadores que podem até citar um texto sagrado em defesa de sua delinqüência. E raramente alguém ousa levantar a voz contra isso.
O grande deus entretenimento diverte os seus devotos principalmente lhes contando estórias. O gosto por estórias, característicos da meninice, depressa tomou conta das mentes dos santos retardados dos nossos dias, tanto que não poucas pessoas, pelejam para construir um confortável modo de vida contando lorotas, servido-as com vários disfarces ao povo da igreja. O que é natural e bonito numa criança pode ser chocante quando persiste no adulto, e mais chocante quando aparece no santuário e procura passar por religião verdadeira.
Não é uma coisa esquisita e um espanto que, com a sombra da destruição atômica pendendo sobre o mundo e com a vinda de Cristo estando próxima, os seguidores professos do Senhor se entreguem a divertimentos religiosos? Que numa hora em que há tão desesperada necessidade de santos amadurecidos, numerosos crentes voltem para a criancice espiritual e clamem por brinquedos religiosos?
“Lembra-te, Senhor, do que nos tem sucedido; considera, e olha para o nosso opróbrio. … Caiu a coroa da nossa cabeça; ai de nós porque pecamos! Por isso caiu doente o nosso coração; por isso se escureceram os nossos olhos.” Amém. Amém.
(O Melhor de A. W. Tozer, Editora Mundo Cristão)